segunda-feira, 15 de julho de 2019

Como uma mulher do século XVIII se vestia: Parte I

Parte I:  as roupas de baixo

meias e jarreteiras do século xviii

   Como  era a lingerie no século 18? Seguindo com os posts sobre como as mulheres se vestiam em outras épocas, o de hoje é sobre a moda durante todo o século XVIII, período que inclui o queridíssimo rococó. Trajes históricos costumam ser feitos sob camadas e durante o século XVIII não era diferente. Apresento aqui algumas das peças que iam por baixo daqueles belíssimos vestidos que eram vistos em Versailles.


Chemise
Chemises do século 18

    Também chamada de shift, é a primeira peça que entra em contato com o corpo, e durante todo o século XVIII essa peça não mudou muito, consistindo de um camisolão longo comumente feito em linho, com negas nas laterais, decote profundo e mangas na altura do cotovelo. Era a peça que protegia as roupas da oleosidade do corpo e portanto a chemise era  lavada com frequência. 

Stays
stays do século 18

   Proporcionava suporte ao tronco, elevando o busto e proporcionando uma silhueta cônica. As barbatanas eram de baleia e podia ser tanto decorado e em tecido finos como em tecidos simples e sem enfeites. Os stays geralmente iam até a cintura e possuíam abas para acomodar o quadril e ajudar a manter as saias no lugar. Já escrevi um artigo focado em stays, que você pode conferir aqui no blog

Meias
meias do século 18

   Geralmente feitas em seda ou lã, a modelagem das meias seguia o contorno das pernas e o comprimento ia até a acima do joelho. Era comum também que elas tivessem bordados próximos ao calcanhar.

Jarreteiras
jarreteiras do século 18

   Para segurar as meias no lugar era necessário usar as jarreteiras, que são como ligas de pernas. Elas eram ricamente decoradas e o mais comum era que fossem amarradas com fitas, mas ao fim do século já começaram a surgir outros tipos de fechos, como fivela. Para saber mais sobre a história dessa peça e como fazê-la você pode acessar esse outro post.

Bolsos
bolsos do século 18

   No século XVIII, os bolsos dos trajes femininos eram uma peça a parte, que ia sob a saia. Podia ser decorado com bordados, em tecidos lisos ou até mesmo trabalhados em patchwork. Ele era acessado por fendas na saia e assim as mulheres podiam guardar pequenos objetos pessoais.

Suportes para as saias

   Para armar a saia e deixá-la na silhueta desejável usava-se dois tipos de suporte, os bumpads e os panniers. Bumpad eram almofadas presas em volta da cintura; garantiam volume de uma forma mais casual e prática. Já os panniers eram peças de uso mais formal, principalmente em bailes, na corte e afins. Podiam ser inteiriços como o grand pannier ou separado em duas partes como os pocket hoops.

Anágua
anáguas do século 18

   Algumas eram ricamente decoradas para serem usadas sob saias, mas também haviam os modelos mais simples. Modelos acolchoados eram uma opção para aquecer as mulheres no inverno e acrescentar um volume discreto à saia.

Fichu

   Usado durante o dia e muito comum entre mulheres inglesas, o fichu era um lenço de musselina usado no decote, por modéstia ou para aquecer. Em mulheres da classe trabalhadora, essas peças também eram usadas para proteger a pele do sol. 

   É possível perceber como ainda que essas peças não fossem ser vistas, costumavam ser decoradas. Esse é um dos motivos que me fazem ser apaixonada pela moda no período rococó, a atenção aos detalhes é impressionante! Esse foi um breve guia de algumas das peças que eram usadas e suas principais características. Na próxima parte trarei os estilos utilizados e acessórios que ajudavam a compor o traje. 

    Gosta desse formato de post? Sinta-se livre para sugerir outros temas e épocas que você gostariamde ver aqui no blog! 

Referências: 
The history of underclothes,  C. Willett Cunnington 
Corset and crinolines, Norah Waugh
National museums Liverpool: Getting dressed in 18th century

Leituras recomendadas: 
Stays no século XVIII: o que são e como eram feitos 
Desafio de costura histórica: jarreteiras 
Uma breve história da lingerie 

terça-feira, 4 de junho de 2019

A moda na época de Jane Austen

Elizabeth Bennett
    Jane Austen foi uma autora inglesa que viveu entre 1775 e 1817. Esse período na moda é chamado de Diretório e Império. Como era a moda dessa época? E como ela se relacionava com o contexto histórico da Inglaterra no início do século XIX? É sobre isso que vamos falar hoje, começando com algumas definições:

Diretório

   O que marca o início do Diretório são as mudanças que acontecem na França, que culminam na revolução francesa em 1789. Com a rejeição da população pela aristocracia começa também a busca por uma nova forma de se vestir que se distancie do que é visto na corte. Sendo a França um país influente na moda, o que é usado lá passa a ser adotado em outros países também, como a Inglaterra.

Moda do período Diretório
  Durante o Diretório roupas mais leves passam a aparecer, panniers (anquinhas laterais) são abandonadas e sedas estruturadas e bordados dão lugar a vestidos mais leves em algodão. Essa mudança também acontece na moda masculina, à medida que eles também preferem roupas que sejam mais simples e menos luxuosas. Até mesmo a roupa de baixo torna-se mais leve, com o uso de poucas anáguas e corsets mais curtos.

  A Inglaterra era uma grande produtora de musselinas no fim do século XVIII o que ajudou a popularizar esse novo estilo, de peças mais finas e esvoaçantes.

Império


Moda do período império
    A moda durante o período Império é baseada em ideais neoclássicos, e as características principais do vestido são a cintura logo abaixo do busto e a silhueta mais longilínea. Alguns vestidos eram tão finos que chegavam a ser transparentes. Também eram comuns mangas bufantes, barrados bordados e tons claros, já que a tecnologia para o branqueamento de tecidos era mais barata e tornava possível vestidos ainda mais brancos. Já descrevi mais a moda do período império aqui.

O dandismo

Estilo dandy
   Na moda masculina durante o início do século XIX surge o dandismo, corrente estética que pregava a elegância e simplicidade na vestimenta dos homens e também ditava modos e etiquetas. Casacas bem ajustadas, calças longas, cartola e cravats estavam entre os principais itens que um homem elegante deveria vestir. Esse modo de pensar foi popularizado por Beau Brummell e continuou presente durante várias décadas seguintes, influenciando até mesmo Oscar Wilde, por exemplo.

 E qual a relevância da moda nas obras da Jane Austen?

   Uma característica que marca as obras da Jane Austen é a forma como ela detalha e analisa as convenções sociais da época, num período em que etiqueta e reputação eram importantíssimos. A moda tem um grande papel nesse contexto. Livros de etiqueta descreviam códigos ao se vestir e um deslize nessa questão poderia suscitar comentários.

Mr Darcy no lago
  Em Orgulho e Preconceito existem duas cenas marcantes que se relacionam ao vestuário. Em primeiro lugar, Elizabeth Bennett que visita sua irmã depois de caminhar vários quilômetros e aparece com a barra de seu vestido suja de lama, o que é considerado um absurdo. E uma das cenas mais icônicas da adaptação da obra pela BBC em 1995 tem muito a ver com vestuário também, a cena em que Mr. Darcy é visto pela Elizabeth saindo do lago usando apenas camisa.

    Essa cena é interessante, ainda mais quando paramos pra analisar que até o século XIX as camisas masculinas eram consideradas roupas de baixo, via-se muito pouco delas (geralmente punho e golas); além de também serem um símbolo de status social. Um personagem arrogante e em uma posição elevada como Mr Darcy - um clássico exemplo de dandy - aparecer usando apenas camisa e calça o deixa em uma posição extremamente vulnerável, o que achei uma ótima sacada dos figurinistas da série, considerando o enredo.

Concluindo

Orgulho e Preconceito 1995
    A moda não existe sem um contexto, ela é um reflexo da sociedade, tecnologias e costumes de um período. É algo vivido pelas pessoas em seu dia a dia, então não é de se surpreender que é um assunto que apareça em produções históricas, ainda mais que o figurino ajuda na construção de um personagem. 

    Acho bem interessante ir relacionando aspectos da história da moda ao contexto histórico da época em questão. Ver como mudanças na política, indústria e comerciam afetam o que as pessoas vestem, como o que alguém veste pode definir sua posição em uma sociedade.

   Minha intenção é trazer cada vez mais conteúdos do tipo aqui pro blog, vocês estão gostando? Sintam-se livres para sugerir mais temas também. 

Leituras sugeridas:
Como era a moda no período império - Sociedade Histórica Revivalista

Bibliografia:
História do vestuário no ocidente, François Boucher
Rainha da Moda: como Maria Antonieta se vestiu para revolução, Caroline Weber


segunda-feira, 8 de abril de 2019

Uma breve linha do tempo do corset

    A peça que chamamos de corset hoje sofreu diversas mudanças ao longo do tempo. Com a principal função de sustentar o corpo e delinear a silhueta desejada, o corset (com seus diversos nomes) esteve presente na moda feminina desde 1500 até o início do século XX. São séculos e séculos de história e minha intenção aqui é apresentar os principais aspectos que diferenciam uma época da outra sem ser demasiadamente descritiva.  


    É no fim da era medieval que as roupas femininas passam a contornar mais o corpo, e com o renascimento começamos a ver peças cada vez mais estruturadas, que não só contornavam o corpo como moldavam-no surge então os primeiros 'corsets'.

Período Tudor (1500-1600)


    As primeiras peças que cumpriam essa função de dar suporto ao tronco foram os pair of bodies ou pair of stays, que surgiram durante o século XVI. Estamos aqui no início da história da moda propriamente dita, e a elite buscava uma vestimenta que a diferenciasse. Sendo assim, um tronco alongado e postura ereta era uma forma de demonstrar poder, e o pair of bodies contribuía para que essa silhueta fosse alcançada. Com barbatanas de baleia em volta de toda a peça e na parte da frente uma placa de madeira (busk) que era utilizada para manter a peça rígida, nem sempre possuíam forro e tinham ilhós para manter a anágua no lugar. Existem poucos registros de pair of bodies originais que tenham sobrevivido ao tempo, mas aparentemente as peças não possuíam decorações. Foi nessa época também que surgiram aqueles corsets de ferro que vemos por aí, mas seu uso era ortopédico. 

Barroco (1600-1720)


    O barroco na moda acontece por volta do século XVII e se estende até o início do século XVIII. Nessa época o stays cai em desuso, e era o corpete do vestido que recebiam as barbatanas para deixá-lo rígido e estruturado. 

Rococó (1720-1770)


    Aqui, a linha do busto dos vestidos se torna cada vez mais baixa, e os stays vão só até a linha dos mamilos. A silhueta é cônica e vemos modelos com e sem abas na parte de baixo, que serviam para evitar que a anágua escorregasse. Também é nessa época que se torna mais comum os stays com amarração frontal, que facilitava na hora de vestir. Podiam ser peças simples ou ricamente decoradas. Já abordei stays do século XVIII anteriormente, e vocês podem conferir o post aqui

Diretório (1770-1800)


    Depois da revolução francesa a moda muda drasticamente, e a busca é por roupas que sejam menos restritivas e mais leves; E consequentemente as roupas debaixo acompanham essa mudança. Surge então o short stays, que são modelos mais curtos cuja função é sustentar os seios sem comprimir a cintura. O padrão de beleza também passa a ser seios separados e 'em bandeja'. 

Império e Regência (1800-1890)


    Ainda leves, os stays voltam a ser compridos. É possível observar também que o uso de barbatana se reduz ou até mesmo é substituído por barbantes. As decorações são mais discretas, e constituem em bordados ou o uso de tecidos coloridos. 

Era vitoriana inicial (1830-1850)


    Também chamada de romantismo, o início da era vitoriana traz a volta do traje em duas peças, e voltamos a ver saias armadas em contraste com corpetes ajustados. Aqui 'corset' passa a ser o nome mais usado pra definir esse tipo de peça, que é usado cotidianamente por mulheres de todas as classes sociais. As alças desaparecem a cintura volta a ser afinada. O uso de nesgas ajuda a peça se encaixar melhor nos quadris.

Era vitoriana tardia (1850-1900)


     A invenção do busk junto com o uso de barbatanas e ilhós de aço mudou completamente a confecção dos corsets, permitindo que as peças fossem cada vez mais apertadas e com modelagens mais curvilíneas. É também o início da prática do tight-lacing (uso constante do corset afim de diminuir medidas) por algumas mulheres. No final do século XIX a cintura é fina como nunca antes, e vemos peças ricamente decoradas. A partir de 1890 também surgem corsets que não cobrem mais o busto e são mais curtos, chamados de waist-cincher. Tem um post aqui no blog só sobre corsets vitorianos,com curiosidades e desmitificando algumas coisas. 

Era Eduardiana (1900-1920)



    Depois da virada do século os corsets se alongam e a silhueta buscada é em formato de S: ombros volumosos, cintura fina, abdômen comprimido e quadris projetados para trás. Novamente o corset ajuda a conquistar a silhueta desejada e esse efeito era atingido mesmo com peças mais leves, seja com peças com apenas uma camada de tecido ou até mesmo corsets feitos com fitas costuradas em pontos estratégicos. Também era comum que a peça tivesse ligas que eram presas à meia. 

    Fatores como a primeira guerra mundial e a maior inserção da mulher no mercado de trabalho fizeram o corset cair em desuso. A peça só voltaria a ser usada novamente com frequência durante a década de 1950 com o New Look da Dior e também teve um revival na década de 80 e 90, mas isso é assunto para outro post. 

    Ps.: As datas usadas para definir os períodos são baseadas nas mudanças na história da moda na Inglaterra e França, que eram nações influentes em relação à moda. 


Referências:

Corsets and Crinolines, Norah Waugh
The History of Underclothes, Cecil Cunnington
Corsets in context: a history - Fine arts museum of San Francisco


Outras leituras recomendas: 




domingo, 24 de março de 2019

Como começar na costura histórica?

   

   Recém adquiriu uma máquina no tempo e agora precisa de um guarda roupa de acordo para não se destacar na multidão? Gosta de eventos revivalistas? Quer trabalhar com figurino? Independente dos seus motivos deixo aqui algumas dicas pra quem quer começar com a costura histórica - ou seja, reproduzir as roupas que eram usadas em outras épocas. É com pesquisa e técnicas aquedadas que um traje histórico se diferencia de uma fantasia, e minha intenção é apresentar um caminho para chegar nesse resultado. 

1 - Estude História da Moda 

Por Meg North

   Acredito que estudar história da moda seja a base de tudo. O que eu recomendo não é procurar aspectos sociais e estudar minúcias, mas estudar as características de cada período, o suficiente para que você consiga diferenciar um vestido império de um vestido medieval, por exemplo. Também é importante entender o que você está reproduzindo pra ter mais liberdade de fazer algo que seja sua cara e não apenas uma cópia de algum quadro ou item de museu. 

2 - Escolha um recorte

   Depois que você conhecer os períodos da história da moda com certeza vai encontrar alguns que te interessam mais, e é nessa hora que você define um recorte. É importante que você escolha um período para poder se aprofundar nas pesquisas e conseguir fazer algo de qualidade. Caso você se interesse por recriação histórica, esse foco é essencial para uma imersão maior. Um recorte pode ser tanto um período mais amplo como 'era medieval' ou 'era vitoriana' quanto algo mais específico como 'década de 1730' ou 'guerra civil americana. 

3 -  Defina um kit

   Em recriação histórica, é chamado de kit o conjunto de itens básicas para compor uma persona histórica. Pensar em uma persona é o que vai fazer com que o seu traje pareça historicamente correto. Será um traje da nobreza? Classe trabalhadora? Quais peças compõem esse traje? Talvez você queria montar um guarda roupa completo e aí será necessário saber também quais trajes eram necessários para determinadas ocasiões como passeios, bailes, trabalho etc.

4 - Comece com as peças de suporte

Por TzarinaRegina

   De nada adianta ter um belíssimo vestido de baile se você não tem uma crinolina para armá-lo. Vai ser frustrante ter um roupa pronta e não poder usá-la por falta das peças de baixo. Também recomendo começar por elas porque caso seja você mesmo a costurar, não são peças que serão vistas então você não precisará se preocupar tanto caso não acerte o acabamento logo de cara. 

5 - Atenção aos detalhes

   Na recriação histórica os detalhes fazem a diferença e é por causa deles que você consegue aparentar ter saído de um quadro ou fotografia antiga. Cabelo, maquiagem e acessórios se enquadram nessa categoria. E isso vale tanto para trajes femininos quanto masculinos - e aqui entram questões de barba também. 

5 - Bibliografia sugerida


   Algumas sugestões de livros que considero bons para ter como base, tanto pra quem vai confeccionar os próprios trajes quanto pra quem pretende desenhá-los e entregar para uma costureira. Para cada recorte escolhido com certeza existem vários outros livros especializados, mas foco aqui em opções que trazem um apanhado mais generalizado: 

A roupa e a moda, James Laver - Um ótimo livro sobre a evolução da história da moda
The History of Underclothes, Cunnington, C. Willett - Um livro bem completo sobre as roupas de baixo de homens e mulheres
Tecidos, Dinah Bueno Pezzolo - Um apanhado sobre a história de cada tecido e suas características
A evolução da indumentária - Apresenta uma breve descrição de cada período, e para quem já entende de modelagem também tem algumas representações de molde. 
História do vestuário, Carl Kohler - Moldes feitos a partir de peças de museu, e textos informativos sobre a moda da época. 

6 - Links uteis 

   Apesar de linkar esses dois posts aqui, recomendo muito que dêem uma olhada nos dois sites por completo, ambos são bem informativos. 

História da moda - Por Sana 
The Dreamstress - referências visuais no Pinterest 

   Aqui no blog: 


   Espero que esse post seja útil para quem está pensando em se aventurar na costura histórica, pretendo trazer mais conteúdos sobre isso aqui no blog mas nesse meio tempo me coloco à disposição de responder dúvidas ou anotar sugestões de temas para outros posts, podem me contactar aqui nos comentários ou no meu email: julianalopesmf@gmail.com 



quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Fazendo um stays 1790-95


     Começando o ano finalizando um projeto que já estava em andamento há vários meses, um stays 1790-95. Essa não é a primeira vez me aventurando na confecção de stays, mas estava afim de trabalhar em alguma peça bordada e esse projeto veio a calhar. 

Modelo e inspiração


    Minha principal referência foi esse modelo do Victoria & Albert Museum, feito em 1790-95 em um tecido de lã. Essa peça sempre me intrigou por sua modelagem sem muitos recortes e eu tinha curiosidade em saber como ficaria o caimento no corpo. A ideia era conseguir reproduzir a modelagem da forma mais parecida possível, e usar os mesmos detalhes de acabamento. 

Molde e corte

    O molde foi o meu foco nesse modelo e reproduzi-la foi basicamente um estudo, pois precisei traçá-lo do zero. Esse stays é divido em três peças: frente, costas e alças. Aproveitei que o corte era bem plano e tracei o desenho com alguns cálculos de proporção de acordo com a foto do V&A Museum, e o que eu não pude reproduzir assim completei com palpites e me baseei em outros moldes da época.


    Aqui, os pontos que eu gostaria de alcançar eram: ombros jogados para trás, silhueta cônica, busto levantado e frente reta, assim como era o padrão da época. Como eu estava experimentando com a modelagem, um mockup foi necessário. Acabei precisando ajustar altura das costas e alargar a peça um pouco mais para que ela me servisse.

Construção


   A construção é bem simples. São duas camadas de tecido: uma de linho e outra de algodão, que serve como forro. As barbatanas são de plástico e posicionadas em pontos estratégicos seguindo a referência original, encaixadas entre o tecido principal e o forro. Para acabamento nas bordas utilizei viés de cetim. A amarração é frontal e os ilhóses bordados.


   Primeiro uni frente, costas e alças dos dois tecidos de forma separada; depois uni forro e tecido frontal, costurando também as canaletas; a última parte foi terminar de costurar forro e tecido principal nas parte superiores e inferiores e dar o acabamento com o viés. O mais trabalhoso mesmo acabou sendo o bordado, que consumiu boa parte do tempo de confecção. Nas canaletas das barbanas utilizei o ponto cruz e no ilhóses o ponto cheio.

Resultado final


    Depois de muita procrastinação, finalmente finalizei esse projeto! Fiquei bem satisfeita com a modelagem, que era minha maior preocupação. Esse stays acabou me surpreendendo por ser uma peça mais confortável do que eu imaginava, e atribuo isso ao fato dele ser um half boned stays (barbatanas em pontos estratégicos, ao invés de na peça inteira), ser mais curto e com pouca/nenhuma redução na cintura. A chemise que estou usando na foto também tem post aqui no blog.

    Pretendo usar esse stays em um traje completo futuramente, parece uma peça que pode ser usado tanto por baixo quanto como peça de cima, como em algumas pinturas da época. Mas isso é assunto para outro post. 

Principais referências e recomendações de leitura:

V&A Museum: Stays
Stays no século XVIII: o que são e como são feitos

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Chemise à la reine 1780s

    Traje 1780s composto de chemise feita em voal, sash em tafetá e gargantilha em veludo e renda, todos feitos por mim. Desenhei esse traje baseado no modelo tradicional de chemise à la reinemostrado em pinturas da época. 

     Usado pela primeira vez no VII Picnic Vitoriano de São Paulo, em julho de 2017.

Posts relacionados:

Fazendo uma Chemise à la Reine 1780s - sobre a pesquisa e confecção do traje

Fotos por Cleusa Vargas: 



Foto por Rose Steinmetz:


Foto por Anna Barone:


Traje de baile 1810s

   Traje de baile 1810s composto de vestido feito em cetim e chiffon com detalhes em guipir e spencer feito em microgabardine também com detalhes em guipir. Como roupa de baixo, short stays e chemise longa. Todas as peças foram desenhadas e costuradas por mim. As principais referências foram peças de museus e o figurino de Becoming Jane. 

    Usado pela primeira vez durante o III Picnic Jane Austen em abril de 2017.

Posts relacionados: 

Notas sobre construção: fazendo um traje de baile império - um pouco sobre as referências e construção do vestido. 
Desafio de costura histórica II: inovação - processo de pesquisa e costura do short stays. 
Ensaio fotográfico: picnic Jane Austen - mais fotos do traje

Fotos por Italo Vinicius :