quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Chemise à la reine 1780s

    Traje 1780s composto de chemise feita em voal, sash em tafetá e gargantilha em veludo e renda, todos feitos por mim. Desenhei esse traje baseado no modelo tradicional de chemise à la reinemostrado em pinturas da época. 

     Usado pela primeira vez no VII Picnic Vitoriano de São Paulo, em julho de 2017.

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Fazendo uma Chemise à la Reine 1780s - sobre a pesquisa e confecção do traje

Fotos por Cleusa Vargas: 



Foto por Rose Steinmetz:


Foto por Anna Barone:


Traje de baile 1810s

   Traje de baile 1810s composto de vestido feito em cetim e chiffon com detalhes em guipir e spencer feito em microgabardine também com detalhes em guipir. Como roupa de baixo, short stays e chemise longa. Todas as peças foram desenhadas e costuradas por mim. As principais referências foram peças de museus e o figurino de Becoming Jane. 

    Usado pela primeira vez durante o III Picnic Jane Austen em abril de 2017.

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Notas sobre construção: fazendo um traje de baile império - um pouco sobre as referências e construção do vestido. 
Desafio de costura histórica II: inovação - processo de pesquisa e costura do short stays. 
Ensaio fotográfico: picnic Jane Austen - mais fotos do traje

Fotos por Italo Vinicius :






domingo, 30 de setembro de 2018

Traje de Passeio 1890s

    Traje de passeio (walking suit) 1890s composto de casaca em gabardine com detalhes em soutache, saia de tafetá e camisa (shirtwais) de tricoline com detalhes em renda e guipir. Como roupa de baixo chemise curta, drawers e corset. Usado durante o VI Picnic Vitoriano em 2017 e um ensaio fotográfico no mesmo ano. 

    Modelo desenhado e confeccionado por mim (exceto corset), tendo como referência os figurinos da Vanessa Ives (Penny Dreadful) e acervos de museus. 

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Traje de passeio 1890s - detalhes sobre o processo de costura
Clássicos de horror e mistério do século XIX -  onde comento sobre Penny Dreadful

Fotos por Rose Steinmetz:



 Foto por Felipe Buli:

Foto por Cleusa Vargas:

Foto por Mitsuo Yamamoto: 





segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Frankenstein e 200 anos de ficção científica

 

    Aos moldes do post que fiz anteriormente (Clássicos de horror e mistério do século XIX), nesse trago mais indicações de clássicos da literatura, dessa vez abordando outro gênero pelo qual eu sou apaixonada: a ficção científica. 

    Esse gênero literário tem uma origem curiosa: Ele foi inventado por uma moça em um desafio, em apenas uma noite! Mary Shelley estava em uma reunião na casa de Lord Byron com seu marido, e em determinado ponto da noite Byron desafiou seus convidados a escreverem uma história de horror. Shelley levou bem a sério o desafio e escreveu o conto que daria origem a Frankenstein - Ou o Prometeu moderno. Ela aproveitou avanços na medicina da época para escrever sua história e assim surgiu o que hoje chamamos de ficção científica. 

    De lá pra cá muitos títulos seguindo os mesmos preceitos foram lançados. Resolvi montar uma brevíssima linha do tempo com alguns livros marcantes de várias décadas diferentes ao longo desses dois séculos, que considero clássicos da ficção científica indispensáveis pra quem é fã do gênero.

1818 - Frankenstein

Ilustração por Bernie Wrightson

    A história de Frankenstein - Ou O Prometeu moderno é narrada por Dr. Victor Frankenstein, um estudante incrivelmente talentoso obcecado em dominar a natureza e ser capaz de criar vida. Victor tem êxito em seu projeto e abandona a sua criatura no mesmo instante devido ao horror que sente por ela. Desde então vemos os terríveis acontecimentos que surgiram em consequência desse ato. Ao contrário do que possa parecer pela premissa, a atmosfera de horror não tem como base simplesmente a presença de um monstro na história, mas sim o tormento que criador e criatura sofrem, na expectativa de que um dia possam acertar as contas.  

    Frankenstein é um livro que aborda discussões sobre os limites da ciência e a ambiguidade nos conceitos de bem e mal, herói e vilão. Um livro sobre monstro que fala principalmente de sentimentos humanos. Na minha opinião o maior trinfo da história é a melancolia que transparece e nos faz refletir sobre o que realmente define um monstro.

1895 - The time machine

    Novela escrita por H. G. Wells, acredita-se ser a primeira obra de ficção científica que trata da viagem no tempo por uso de uma máquina. Na história, o personagem principal - chamado apenas de Time Traveler - consegue inventar uma máquina que o transporta para a quarta dimensão, a dimensão do tempo. É a partir que se inicia a sua aventura, a adaptação de um viajante a um mundo bem diferente do seu. É uma das obras mais famosas de H. G. Wells e influenciou várias outras que vieram depois. 

1932 - Admirável mundo novo

    Além de um clássico da ficção científica, Admirável Mundo Novo também figura em listas de distopias clássicas. No futuro imaginado por Aldous Huxley, a sociedade está estruturada em castas, com diversos avanços tecnológicos relacionados a reprodução e controle das emoções. Em contraponto a essa sociedade existe uma espécie de reserva onde pessoas vivem aos moldes do passado, que são chamados de selvagens. Insatisfeito com o mundo em que vive Bernard Marx passa a se aproximar de selvagens e questionar se o modelo de sociedade em que vive realmente é o ideal. 

1950 - Eu, Robô 

Ilustração por Mark Zug

    O livro é composto por vários contos que não estão diretamente ligados, mas são apresentados em ordem cronológica e se passam no mesmo universo futurístico. Nele, robôs já fazem parte do dia a dia da humanidade, o que pode ser uma comodidade e também um perigo. Apesar de não ter sido o primeiro livro sobre robôs, Eu, Robô é um dos livros mais importantes sobre o assunto e as leis da robótica propostas por Isaac Asimov são seguidas por vários outros escritores até hoje. 

1968 - Androids sonham com ovelhas elétricas?

    Outra grande distopia, Androids sonham com ovelhas elétricas? se passa na pós apocalíptica São Francisco de 2021, onde Rick Deckard trabalha como caçador de recompensas. Por causa de gases tóxicos que poluem a Terra (causados por desastres nucelares) a maioria dos humanos migraram para outros planetas, ficando no planeta o que seria considerado a escória da sociedade, pessoas que não são inteligentes o suficiente, caçadores de recompensas, androides disfarçados. Mas o livro não foca nesse futuro distópico mas sim no dilema moral de Rick, que precisa exterminar robôs tão avançados que a diferença deles para os seres humanos são extremamente sutis. 

1985 - Ender's game

    Por vezes classificada como uma ficção científica militar, o livro foi escrito por Orson Scott Card. O ponto de partida da história é o conflito entre uma raça alienígena - os Formics, e os humanos. Num futuro sem data especificada, a Terra foi invadida por uma raça alienígena que no passado deixou vários danos ao planeta. Desde então, crianças são enviadas para centros de treinamentos físicos e psicológicos para que a humanidade esteja apta a se defender de uma próxima invasão. Entre essas crianças está Ender, que ainda que seja considerada uma criança indisciplinada é extremamente inteligente e se destaca na escola de combate. Apesar da polêmica sobre a violência  no livro, ele foi bem recebido pela crítica e inclusive foi leitura sugerida de agências militares. 


1990 - Jurassic Park 

Ilustração por Mark Englert

    Talvez uma obra que dispense apresentações, Jurassic Park definitivamente foi um marco na ficção científica contemporânea. Usando a manipulação genética e descobertas sobre DNA como plano de fundo para seu thriller Michael Crichton trouxe dinossauros de volta à vida em uma espécie de parque temático. Não há como medir a influencia desse livro, que fez com o que interesse em dinossauros crescesse de forma exponencial e que inspira não só outras obras da ficção mas  também cientistas que tentam recriar o que Crichton imaginou. 


    Seria impossível resumir séculos de produção literárias em apenas um post, e cada uma dessas obras certamente poderia ser explorada em textos mais detalhados, mas a ideia aqui foi apresentar um panorama e indicar obras que eu gostei ou considero interessantes, por apresentarem a ficção científica de diversos pontos de vistas. Espero que tenham gostado. Apesar de não ser um tema muito frequente, eu realmente adoro escrever sobre literatura e ainda pretendo abordar o tema outras vezes por aqui. 

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Traje de chá 1890s

    Traje de chá da década de 1890 composto de vestido em tricoline, swiss waist em tafetá e robe em voal, feitos por mim. Como rouba de baixo chemise longa e bumpad feitos por por mim e corset réplica de um modelo histórico por Josette Blanchard. 

    Modelo desenhado por mim, inspirado em exemplos de museus. 

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Traje de chá 1890s - detalhes sobre o processo de costura
Inspiração: Tea gowns - exemplos de tea gowns históricos
Tutorial: Swiss waist  - pesquisa e tutorial 

Fotos por Rose Steinmetz:






Foto por Cleusa Vargas:



domingo, 26 de agosto de 2018

1 peça, 3 looks: edição vitoriana


    Fazer um traje do zero é uma experiência muito bacana. Pesquisar silhuetas, materiais, cortes... ver o seu kit se completando peça por peça. Mas a versatilidade também tem seu charme. Afinal, porque não aproveitar aquela peça que deu tanto trabalho para ser feita ou foi custosa de adquirir usando-a mais vezes? É bem possível recombinar peças na recriação histórica.



    Essa prática de reutilizar peças certamente não surgiu com revivalistas e reenactors. O robe a la transformation é um bom exemplo de como as próprias vitorianas recombinavam suas peças para poder usar a mesma roupa em mais de uma ocasião. Em museus encontramos não apenas peças que foram customizadas para se adaptar ao estilo de uma outra década, como algumas que foram completamente descosturadas para reaproveitar o tecido!

    Nesse post eu vou mostrar como reaproveitar uma saia que é básico no guarda roupa vitoriano: uma saia de passeio preta.


01 - Em um traje de baile 1880s



    Um traje de baile da década de 1880 era tradicionalmente composto por um corpete, uma saia drapeada uma saia simples por baixo. Foi a primeira vez que usei essa saia e já fiz ela em preto pensando em recombiná-la mais tarde. Eu falo mais de como costurei ela nesse post.

02 - Em um traje de passeio 1890s



    No traje de passeio usava-se uma saia simples com poucos recortes e detalhes junto de casacos, camisas e outros acessórios. Em 1890 temos muitos exemplos de conjuntos assim já que uma vida mais ativa era recomendada. Para o meu traje me inspirei na Vanessa Ives, e como já tinha a saia eu praticamente precisei fazer só o casaco e a camisa pra ter um traje novo ideal para picnics ou outros eventos ao ar livre.

03 - Em um traje de luto 1890-1900s



    Esse eu usei brevemente, em um evento da SHD. Eu precisava de algo para usar durante algumas horas antes de me trocar e colocar um traje de banho (também registrado aqui no blog), então resolvi apenas recombinar peças que eu já tinha. Além da já costumeira saia de passeio, usei uma camisa no estilo shirtwaist (modelo popular na década de 1890 e que continuou a ser usado na era eduardiana), e tentei dar um aspecto mais eduardiano ao traje com os acessórios, como o chapéu, cinto e broche.

Concluindo

    Eu realmente gosto dessa saia e com certeza a usaria ainda mais vezes. Em geral o que costumo repetir em meus trajes são as roupas de baixo, mas vez ou outra reaproveito alguma peça de outro traje. É uma forma de ter um traje novo de forma prática e rápida.

     Começar na reconstrução histórica pode parecer complexo e custoso, mas ter um recorte histórico definido tem suas vantagens, pois conforme você vai montando seus trajes você ao mesmo tempo está construindo um guarda roupa da mesma forma que uma pessoa da época teria. Quando penso em 1880-90, vejo que já tenho traje de passeio, de banho, de baile, de chá...já estou pronta para viajar no tempo, falta só o meio de transporte, haha.

    Quem indicou o tema desse post foi a Mariana, do grupo Ateliê da História. Eu adorei a ideia e estou até considerando utilizar o mesmo modelo pra falar sobre outras épocas... o que acham?

terça-feira, 31 de julho de 2018

Como uma mulher vitoriana se vestia: parte II

II - questões socioeconômicas e tecnológicas na produção das roupas


    Diferenças socioeconômicas eram refletidas nos trajes e sempre foi possível definir a que classe da sociedade uma pessoa pertencia de acordo com a sua vestimenta, e durante o século XIX isso se manteve evidente. Além disso, a moda também era um espelho que refletia o desenvolvimento tecnológico da época. Apresento aqui algumas curiosidades que influenciavam a moda vitoriana e nem sempre são citadas quando falamos sobre as mudanças de silhueta nos vestidos.

Opções na hora de confeccionar



    Durante o século XIX as fashions plates começaram a se tornar mais populares e isso contribuiu para que as mudanças na moda se espalhassem mais rapidamente e de forma mais 'democrática'. Isso acontecia em todas as classes sociais, afinal um vestido originalmente feito em seda poderia ser copiado em algodão estampado e ser usado pelas classes trabalhadoras, por exemplo. Moradoras do interior poderiam copiar a moda da capital usando revistas de moda como referência. 

    Apesar de todas as mulheres bem educadas saberem costurar e terem diversas habilidades manuais, as peças mais trabalhosas eram deixadas na responsabilidade de profissionais, pois um erro poderia significar o desperdício de tecido e dinheiro.

    Para atender essa clientela existia o “travelling dressmaker” (algo como costureiro de viagem), que ia na casa da pessoa fazer o molde e cortar o tecido, e supervisionava a costura da dona da casa e suas filhas. Essa opção costumava ser econômica caso fossem feitas várias peças, como um vestido para cada filha.

Sobre estar 'na moda' 

    Usar vestidos antigos para reproduzir o molde também era uma opção, mas que deixaria a pessoa atrasada na moda. Para as mais pobres, também haviam as lojas de segunda mão. Algumas trabalhadoras também recebiam roupas de suas patroas.

    Assim como a classe mais pobre usava roupas mais antigas e atrasadas na moda, para quem era das classes mais altas da sociedade estar sempre atualizado era imprescindível, para não parecer ser da classe trabalhadora. Por isso as mudanças na silhueta durante o século XIX são mais rápidas do que nunca aconteceu antes na história da moda. Os cortes mudavam a todo momento e isso movimentava todo o mercado da moda, que passou a crescer e se tornar o que é hoje. 


Influência de descobertas tecnológicas na moda

Ilustração de uma fábrica de crinolinas do século XIX

    O desenvolvimento da imprensa no século XIX influenciou muito a moda vitoriana, já que a partir de 1860 os materiais tornam-se mais baratos e assim publicações relacionadas à moda acabam sendo acessíveis a um número maior de mulheres. Dois exemplos de publicações assim são a The Ladie’s Cabinet, revista de 1839, e a The Englishwoman’s Domestic Magazine, que em 1862 tornou-se extremamente popular. Moldes vendidos em tamanho real existem na Inglaterra desde 1830, mas também foi a partir da década de 1860 que elas começaram a se popularizar. 


    Outro ponto importante foram invenções em tingimentos de tecidos. A partir de 1856 cores mais exuberantes como verde esmeralda, malva, magenta entre outras começaram a ser produzidas, por conta das descobertas de William Perkins. A invenção da máquina de costura em 1851 fez com que os detalhes das roupas aumentassem, assim como a quantidade de roupas que cada mulher tinha. Por volta do final da década de 1880s, o mercado ready-to-wear feminino começou a se equiparar ao masculino, principalmente o de roupas de baixo, que antes eram comumente feitas em casa.

Distinções de vestimentas entre as classes da sociedade 

    Em uma sociedade extremamente preocupada com normas sociais, havia uma distinção mesmo entre as classes mais baixas, dos ‘pobres respeitáveis’ aos desesperados. "Enquanto você conseguir manter as aparências, ainda há esperanças, mas decaia do nível aceitável de padrões de vestimentas e portas serão batidas na sua cara, oportunidades serão negadas para você", diz Ruth Goodman. Ter um vestuário decente fazia de você empregável, por exemplo. Haviam também adaptações na vestimentas de acordo com a profissão: As mulheres que faziam trabalhos mais pesados (pit girls) usavam uma espécie de calça larga, enquanto suas saias eram mais curtas, na altura do joelho, e as as fisherwoman também adaptavam suas roupas, deixando a saia mais curta, usando aventais...Mas como regra geral, mesmo as mulheres que trabalhavam fora se vestiam bem, de acordo com a moda da época. 

Loja de roupas usadas, 1876-1877

    Algodão era a fibra predominante no guarda-roupa feminino, principalmente em relação a roupas de baixos, e tinha a vantagem de poder vir em uma gama maior de cores e estampas. O linho também era usado, porém era mais caro, o que acabada tornando o tecido um sinal de status. Uma prática comum de quem não podia investir muito em tecidos era reaproveitar lençóis para produzir as roupas de baixo da família. 

    A moda foi um ponto importante na era vitoriana e é possível dizer muito sobre a sociedade da época enquanto pesquisamos sobre moda. Ela podia influenciar até mesmo no espaço físico e arquitetura, com cadeira se sofás mais amplos para comportar as crinolinas, ou o hábito de nunca deixar objetos abaixo da altura da cintura, pois podiam ser derrubados. Profissões diretamente relacionadas à moda passam a existir e um ato que a princípio parece simples, como o ato de se vestir, se torna cada vez mais carregado de significados e dita o lugar daquela pessoa na sociedade.

Referências:

GOODMAN, Ruth. How to be a victorian. Londres: Penguin Books, 2014